quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Pessoas fogem da crise nos Camarões

Uma imagem tirada de um vídeo filmado em 9 de dezembro de 2017 mostra refugiados camaronenses que estão de fora de um centro de refugiados na aldeia de Cataratas de Agbokim, que faz fronteira com Camarões, na Nigéria. (Reuters)

As forças camaronesas cruzaram a vizinha Nigéria, para onde milhares de pessoas fugiram das regiões anglófonas de Camarões, disseram fontes locais e autoridades do estado nesta quarta-feira.
"Na semana passada, 50 a 70 soldados camaronenses chegaram a (aldeia) Danare para nos dizer que nossa aldeia (nos Camarões) estava segura agora e que poderíamos voltar para casa", disse Tony Kajang, um Camaronês de 22 anos .
Outros camaronenses que fugiram para o sudeste do estado nigeriano de Cross River e um residente local em Danare também confirmaram a presença dos soldados.
Mas eles disseram que as forças não estavam em uma operação militar.
O chefe da agência de gerenciamento de emergências do estado de Cross River, John Inaku, também disse que as tropas estavam em Danare, na área de Boki, no início da segunda-feira.
  • "Havia pessoas vindas do país vizinho. Não é a primeira vez. A primeira vez foi em (o distrito de) Ekang em dezembro ", disse ele à AFP.
Uma fonte policial no sudeste do Estado nigeriano disse apenas: "Sim, é verdade. Havia homens no em terra. Milhares de Camaroneses fugiram para a região fronteiriça remota da violência no sudoeste dos países do Camarões, que faz fronteira com a Nigéria, em media, em ambos os lados da fronteira, na quarta-feira informou que cerca de 80 gendarmes camaronês estiveram em Danare.
De acordo com o jornal The Punch da Nigéria, eles estavam investigando suspeitos de apoiar o separatismo anglófonos
  • O conselheiro de segurança do estado de Cross River, Jude Ngaji, falou: "A questão foi além da polícia e o exército nigeriano acaba de deslocar um batalhão para a área".
Independência:
Observação: Compreende-se por Mundo Anglo-Saxônico o grupo das nações Anglófonas(falantes da Língua Inglesa) que partilham características históricas, políticas, e culturais enraizadas ou atribuídas à influência histórica do Reino Unido
O governo dos Camarões está lutando contra a insurgência de um grupo que exige um estado separado duas regiões que são o lar da maioria dos anglófonos do país, que representam cerca de um quinto da população.
Em 1 de outubro do ano passado, o movimento de separação emitiu uma declaração simbólica de independência para "Ambazonia", seu nome para o estado putativo.
O presidente dos Camarões, Paul Biya, encontrou a agitação com uma forte repressão, incluindo toques de recolher, ataques e restrições de viagem, cerca de 30 000 pessoas fugiram para a Nigéria.
Apesar da sua colaboração militar contra os islâmicos de Boko Haram no nordeste da Nigéria e no norte dos Camarões, os dois países têm relações tensas há muito tempo.
Durante anos, os vizinhos reivindicaram a península de Bakassi, rica em petróleo, até que uma decisão do Tribunal Internacional de Justiça cedeu a Camarões em 2002.
A Nigéria também está enfrentando um movimento de independência de partidários pro-Biafran no sudeste, mas Abuja se aproximou de Yaounde nas últimas semanas.
  • Na segunda-feira, o chefe do movimento separatista Ambazonia, Sisiku Ayuk Tabe, que foi preso na capital da Nigéria no início de janeiro, foi extraditado com 46 dos seus apoiantes.
Yaounde os chamou de "terroristas":

A Amnistia Internacional expressou sua preocupação com o destino dos separatistas presos, dizendo que eles poderiam enfrentar uma tortura e um julgamento injusto nos Camarões.
O ministro das comunicações dos Camarões, Issa Tchiroma Bakary. esta semana parabenizou o que ele viu foi a "excelente cooperação" entre os dois governos em termos de segurança.
Ele também disse que ambos os países "nunca permitirão que seus territórios atuem como bases para atividades desestabilizadoras contra o outro"

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Cameroon separatist leader detained in Nigeria as unrest grows

Separatist group says Julius Ayuk Tabe and six others were taken in
 ‘illegal abduction’ by Cameroonian gunmen

Reuters
Sun 7 Jan 2018 10.40 GMTLast modified on Sun 7 Jan 2018 22.00 GMT

A leading member of a separatist movement in 
Cameroon has been taken into custody in Nigeria with his aides, according to sources.

The once-fringe anglophone movement in Cameroon, a majority French-speaking country, has gathered strength in the past few months following a military crackdown. It represents the gravest challenge yet to the 35-year rule of the president, Paul Biya, who will seek re-election this year.
Julius Ayuk Tabe, the Nigeria-based chairman of the Governing Council of Ambazonia separatist movement, was taken into custody alongside six others at a hotel in Abuja on Friday, both a Nigerian official and the separatist group said.
Separatists, including armed radical elements, seek an independent state for the nation’s anglophone regions they call Ambazonia.
Bilateral relations between Nigeria and Cameroon have been strained as thousands of Cameroonians have fled violence by travelling across the border. Cameroonian troops last month crossed into Nigeria in pursuit of rebels without seeking Nigerian authorisation, causing diplomatic wrangling behind the scenes.
A Nigerian official said Tabe and six of his supporters were placed in custody on Friday evening. “They were having a meeting at Nera hotels in Abuja,” the official said on condition of anonymity.
The separatist group later issued a statement saying that Tabe and six others were taken from Nera hotels by Cameroonian gunmen in an “illegal abduction”.
The unrest in Cameroon began in November, when English-speaking teachers and lawyers in the north-west and south-west regions of Cameroon, frustrated with having to work in French, took to the streets calling for reforms and greater autonomy.
French is the official language for most of Cameroon but English is spoken in two regions that border Nigeria.
Protests by separatists prompted a violent crackdown by Cameroon’s military last year in which troops opened fire on demonstrators.

Since you’re here …

… we have a small favour to ask. More people are reading the Guardian than ever but advertising revenues across the media are falling fast. And unlike many news organisations, we haven’t put up a paywall – we want to keep our journalism as open as we can. So you can see why we need to ask for your help. The Guardian’s independent, investigative journalism takes a lot of time, money and hard work to produce. But we do it because we believe our perspective matters – because it might well be your perspective, too.
"I appreciate there not being a paywall: it is more democratic for the media to be available for all and not a commodity to be purchased by a few. I’m happy to make a contribution so others with less means still have access to information.Thomasine F-R."
If everyone who reads our reporting, who likes it, helps fund it, our future would be much more secure. For as little as £1, you can support the Guardian – and it only takes a minute. Thank you.

See moore here >> Support The Guardian

sábado, 27 de janeiro de 2018

Au Brésil, une démocratie en déliquescence

Au Brésil, une démocratie en déliquescence

« Editorial du Monde. » Après les bravades, les larmes et les outrances, Luiz Inacio Lula da Silva, dit « Lula », président du Brésil de 2003 à 2011, a obtempéré. Vendredi 26 janvier, ses avocats sont venus remettre le passeport de l’ancien chef d’Etat aux autorités policières de Sao Paulo. Cette mesure était réclamée par un juge de Brasilia, au lendemain de sa condamnation à douze ans et un mois de prison pour corruption passive et blanchiment d’argent.
Une humiliation de plus pour l’ex-syndicaliste, figure de la lutte ouvrière sous la dictature militaire (1964-1985), qui fut l’un des plus grands dirigeants politiques du pays et la star des sommets internationaux au temps de sa splendeur. Le sort de Lula, « père des pauvres » dont la politique sociale a sorti des millions de Brésiliens de l’indigence, déchaîne les passions.
Ses alliés protestent de son innocence et le défendent tel un dieu tandis que ses ennemis le considèrent comme un bandit. En dépit des étrangetés avérées de la procédure judiciaire, il n’est pas absurde d’imaginer que l’ancien métallo et son Parti des travailleurs aient, à l’instar de leurs prédécesseurs, succombé à la tradition clientéliste du système politique brésilien. Déjà, en 2005, le scandale du « mensalao » (l’achat de voix de parlementaires) avait failli lui coûtersa réélection. Et, au-delà de cette première condamnation, Lula fait également l’objet de huit autres procédures judiciaires.

Immunité dévoyée

Mais le malaise grandit depuis l’« impeachement » controversé, en 2016, de la présidente Dilma Rousseff, héritière et successeure de Lula. Loin de servir la cause de l’éthique promise depuis le déclenchement de l’opération anti-corruption « Lava Jato » (« lavage express »), la disgrâce de Lula offre le spectacle affligeant d’un vieux monde politique en déliquescence.
Au moment où les juges prononçaient la sentence contre l’ex-métallo, l’actuel président, Michel Temer, participait au sommet de Davos, tentant de faire oublier les lourdes accusations qui pèsent contre lui : corruption passive, participation à une organisation criminelle et obstruction à la justice.
Jusqu’à présent, le chef de l’Etat est parvenu à suspendre les procédures qui le visent au prix d’un marchandage éhonté avec des parlementaires, eux-mêmes en délicatesse avec la justice. Au Congrès brésilien, pas moins de 45 sénateurs sur 81 doivent répondre d’accusations criminelles, pointe le site Congresso em Foco, qui scrute l’activité parlementaire. Rien de neuf. « Lava Jato » n’a fait que mettre en lumière des pratiques bien antérieures à l’arrivée au pouvoir de Lula.
Après les manifestations monstres de 2015 et 2016 réclamant au nom de la « morale » le départ de Dilma Rousseff, les scandales, dignes d’un film de série B, mêlant mallettes d’argent sale et tractations en sous-sol, se sont succédé au point d’étourdir les Brésiliens. Mais le statut de foro privilegidao (« citoyen privilégié ») protège les politiciens en fonctions ; l’immunité dont ils bénéficient, légitime dans son principe, est dévoyée et instrumentalisée avec le plus grand cynisme.
L’élite de Brasilia baigne dans un climat d’impunité de nature à écœurer le peuple. A quelques mois de l’élection présidentielle, le Brésil, pays parmi les plus inégalitaires au monde, renvoie l’image d’une société de castes où les dirigeants n’obéissent pas aux mêmes lois que les miséreux. C’est indigne et dangereux pour la plus grande démocratie d’Amérique latine.
En savoir plus sur http://www.lemonde.fr/idees/article/2018/01/27/deliquescence-de-la-democratie-bresilienne_5248067_3232.html#5xP5TSPHWC5oR3ta.99

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Fundação Nacional do Índio

Fundação Nacional do Índio

A Fundação Nacional do Índio (Funai) é a entidade indigenista oficial do Estado brasileiro. Foi criado pela Lei 5 371, de 5 de dezembro de 1967. É vinculado ao Ministério da Justiça. Sua missão é coordenar e executar as políticas indigenistas do Governo Federal, protegendo e promovendo os direitos dos povos indígenas. São, também, atribuições da Funai: identificar, delimitar, demarcar, regularizar e registrar as terras ocupadas pelos povos indígenas, promovendo políticas voltadas ao desenvolvimento sustentável das populações indígenas e reduzindo possíveis impactos ambientais promovidos por agentes externos nessas terras; bem como prover, aos indígenas, o acesso diferenciado aos direitos sociais e de cidadania, como o direito à seguridade social e à educação escolar indígena.

História:

Em 1910, foi criado o Serviço de Proteção ao Índio (SPI). Em 1967, sucedendo ao SPI, foi criada a Funai. Em 19 de dezembro de 1973, foi promulgada a Lei 6 001 (conhecida como Estatuto do Índio),formalizando as políticas a serem adotadas pela Funai para a proteção das populações indígenas.
Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, o Estado passou a se responsabilizar pela proteção das manifestações culturais, entre elas as dos povos indígenas, garantindo "o pleno exercício dos direitos culturais" (1.º parágrafo do artigo 215).
O decreto 7 747, de 5 de junho de 2012, instituiu a Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI), detalhando um conjunto de políticas e ações de longo prazo, visando a "garantir e promover a proteção, a recuperação, a conservação e o uso sustentável dos recursos naturais das terras e territórios indígenas".

domingo, 7 de janeiro de 2018

Só pressão internacional impede o fim da Funai, diz indigenista

Povos nativos brasileiros

Rodrigo Vargas/Folhapress 
Colaboração para a Folha, em Cubatão7/01/2018
Publicado Originalmente no jornal Folha de São Paulo


Casado e pai de dois filhos, o indigenista Jair Candor, 57, está prestes a completar 30 anos de atuação com grupos indígenas isolados do Brasil.
Sua estreia no ofício se deu na expedição que, no final da década de 1980, fez o primeiro contato com dois dos três últimos remanescentes dos Piripkura –um subgrupo dos Tupi-Kawahíva, que ocupavam a região entre os rios Madeira e Tapajós.
Coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental Madeirinha-Juruena, que atua em duas áreas na conflituosa região noroeste de Mato Grosso, ele se diz pessimista com o futuro da política indigenista brasileira. "Vai de mal a pior", afirma.
Quando recebeu a reportagem em Cuiabá, havia acabado de retornar de uma operação conjunta entre a Funai e o Exército para combater garimpos na Terra Indígena Vale do Javari, no Amazonas –há suspeita de que possa ter havido um massacre de índios isolados no local em setembro passado.
Ricardo Stuckert/BBC-Brasil 

Fotógrafo faz registro de tribo isolada em floresta no Acre.

Folha - Há relatos de índios isolados mortos por garimpeiros no Amazonas e de áreas invadidas por madeireiros. Como avalia esse cenário?
Jair Candor - Eu não vejo perspectiva de melhora nenhuma, não. Para mim, vai de mal a pior. O poder político influente nessas áreas é grande, a gente sabe disso, são pessoas fortes e com muita grana. E os caras conseguem, porque o que o governo quer hoje é acabar com a Funai. Eu digo para os colegas que ela ainda está de pé por conta dos isolados, pois a repercussão internacional é muito forte. É o que ainda segura um pouco, porque o pessoal de fora bate doído e parece que se preocupa mais com os isolados daqui do que o governo brasileiro. Se não tivesse isolados, a Funai teria já virado qualquer outra coisa. A gente sabe que esse povo da soja e do gado está tomando conta.
As áreas que abrigam isolados em Mato Grosso, Piripkura e Kawahiva do rio Pardo, somam mais de 600 mil hectares. Há estrutura para protegê-las?
A equipe é muito pequena para dar conta daquela situação e, principalmente de dois anos para cá, não está dando conta, não. Ainda bem que o Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente] tem dado um apoio, porque senão a situação estava muito pior.
Qual o objetivo dos invasores?
Madeira. Para você ter uma ideia, o centímetro do ipê está valendo R$ 12. Já estão vendendo o ipê por centímetro. Aí o cara acha lá na área indígena 50 a 60 árvores de ipê e já era. O entorno já não tem mais, então está todo mundo de olhão em cima das terras indígenas. Os caras têm tanto maquinário que em dois ou três dias fazem uma desgraceira na mata. Não precisam de tempo.
Piripkuras têm apenas três remanescentes conhecidos, sendo que um deles, Rita, não vive mais como isolada. Qual a situação dos outros dois?
Pakyî é o tio e tem por volta de 52 anos. Tamandua, o sobrinho, está com seus 40. A gente faz três ou quatro expedições por ano para encontrar com eles e ver como estão de saúde e perguntar como estão. É tranquilo. A gente se aproxima, eles nos recebem e a gente conversa. Vamos embora e continuam lá. A última vez foi em janeiro [de 2017] e foram eles que nos encontraram, porque o fogo deles havia se apagado.
Com uma população tão diminuta, como vê o futuro daquela terra indígena?
Essa pergunta eu sempre faço quando vou a alguma reunião da Funai em Brasília e ninguém até hoje me respondeu. Porque a verdade é que Piripkura está no fim. Não tem mais saída. São dois homens. A outra índia que sobrou já não pode mais engravidar. Eu acredito que, quando esses caras morrerem, e isso vai acontecer um dia, essa terra tende a voltar para a mão de fazendeiros.
Essa possibilidade o angustia?
Isso me deixa preocupado porque é um território que, querendo ou não, guarda a história dos caras. Eu acho que deviam preservar, criar uma unidade de conservação, repassar ao Ibama ou ao ICMBio. Mas, pra isso acontecer, o governo tem de querer.
Você está prestes a completar 30 anos de serviço. Pensa em aposentadoria?
Uma hora também vou ter de parar. Não sou mais o cara de 20 e poucos anos. Tenho meus limites. Para fazer uma expedição tem que ser mais programada, articulada, não dá mais para sair por aí com mochila nas costas. Mas pretendo continuar mais uns quatro a cinco anos, talvez. É um trabalho que deu certo para mim. Faço o que gosto.
Indigenista Jair Candor, 57, uma das referências 
no estudo de indígenas isolados do Brasil

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

A febre amarela

Aedes Aegypti – mosquito transmissor da febre amarela

Febre amarela é uma doença viral aguda causada pelo vírus da febre amarela. Na maior parte dos casos, os sintomas incluem febre, calafrios, perda de apetite, náuseas, dores de cabeça e dores musculares, principalmente nas costas. Os sintomas geralmente melhoram ao fim de cinco dias. Em algumas pessoas, no prazo de um dia após os sintomas melhorarem, a febre regressa, aparecem dores abdominais e as lesões no fígado causam icterícia. Quando isto ocorre, aumenta o risco de insuficiência renal.
O vírus da febre amarela é transmitido pela picada de um mosquito fêmea infetado. A febre amarela infeta apenas seres humanos, outros primatas e várias espécies de mosquitos. Nas cidades é transmitida principalmente por mosquitos da espécie Aedes aegypti. O vírus é um vírus ARN do gênero Flavivirus. Pode ser difícil distinguir a febre amarela de outras doenças, principalmente nos estádios iniciais Para confirmar um caso suspeito, é necessário analisar o sangue através de reação em cadeia da polimerase.

Está disponível uma vacina segura e eficaz contra a febre amarela. Alguns países exigem que os viajantes sejam vacinados.Entre outras medidas para prevenir a infeção, está a diminuição da população dos mosquitos que a transmitem. Em áreas onde a febre amarela é comum e a vacinação pouco comum, o diagnóstico antecipado e a vacinação de grande parte da população é essencial para prevenir surtos. O tratamento de pessoas infetadas destina-se a aliviar os sintomas, não existindo medidas específicas eficazes contra o vírus. A segunda fase da doença, mais grave, provoca a morte de metade das pessoas que não recebem tratamento.
Em cada ano, a febre amarela causa 200 000 infeções e 30 000 mortes, das quais cerca de 90% ocorrem em África. Nas regiões do mundo onde a doença é endêmica, vivem cerca de mil milhões de pessoas. É comum nas regiões tropicais da América do Sul e de África, mas não na Ásia Desde a década de 1980 que o número de casos de febre amarela tem vindo a aumentar. Acredita-se que isto seja devido à diminuição do número de pessoas imunes, ao aumento da população urbana, ao aumento do número de viagens e às alterações climáticas. A doença teve origem em África, de onde se espalhou para a América do Sul através do comércio de escravos no século XVII. Desde então que têm ocorrido vários surtos da doença na América, em África e na Europa. Nos séculos século XVIII e século XIX, a febre amarela era uma das mais perigosas doenças infeciosas. Em 1927, o vírus da febre amarela foi o primeiro vírus humano a ser isolado.

Sinais e sintomas:

Os sintomas iniciais são inespecíficos como febre, cansaço, mal-estar e dores de cabeça e musculares (principalmente no abdômen e na lombar). A febre amarela caracteriza-se pela ocorrência de febre moderadamente elevada, náuseas, queda no ritmo cardíaco, fadiga e vômito com sangue. A diarreia também surge por vezes. A maioria dos casos são, assim, arcoptomáticos, manifestando-se com uma infecção subclínica, mas podendo se tornar grave e até fatal.
Mais tarde e após a descida da febre, em 15% dos infectados, podem surgir sintomas mais graves, como novamente febre alta, diarreia, convulsões e delírio, hemorragias internas e coagulação intravascular disseminada, com danos e enfartes em vários órgãos, que são potencialmente mortais. As hemorragias manifestam-se como sangramento do nariz e gengivas e equimoses (manchas azuis ou verdes de sangue coagulado na pele). Ocorre frequentemente também hepatite e por vezes choque mortal devido às hemorragias abundantes para cavidades internas do corpo. Há ainda hepatite grave com degeneração aguda do figado, provocando aumento da bilirrubina sanguínea e surgimento de icterícia(cor amarelada da pele, visível particularmente na conjuntiva, a parte branca dos olhos, e que é indicativa de problemas hepáticos). A cor amarelada que produz em casos avançados deu-lhe obviamente o nome. Podem ocorrer, ainda, hemorragias gastrointestinais, que, comumente, se manifestam como evacuação de fezes negras (melena) e vômito negro de sangue digerido (hematêmese). A insuficiência renal com anúria (déficit da produção de urina) e a insuficiência hepática são complicações comuns. A mortalidade da febre amarela em epidemias de novas estirpes de vírus pode subir até 50%, mas na maioria dos casos ocasionais é muito menor, apenas 5%..

Causas:

Nas cidades, o vetor da febre amarela é o Aedes aegypti, o mesmo que transmite a dengue, a febre Chicungunha e o Vírus Zika. Desde 1942 a febre amarela é considerada erradicada em áreas urbanas do Brasil, mas casos em áreas rurais foram confirmados desde então. No início do ano de 2017 ocorreu um novo surto de febre amarela no leste de Minas Gerais com diversas mortes. Para que o combate à doença seja efetivo é fundamental o controle deste mosquito e a vacinação das pessoas que vivem em áreas endêmicas.
O vírus da febre amarela pertence à família dos flavivírus, e o seu genoma é de RNA simples de sentido positivo (pode ser usado diretamente como um RNA para a síntese proteica). Produz cerca de dez proteínas, sendo sete constituintes do seu capsídeo, e é envolvido por envelope bilipídico. Multiplica-se no citoplasma e os virions descendentes invaginam para o retículo endoplasmático da célula-hóspede, a partir do qual são depois exorcistados. Tem cerca de 50 nanômetros de diâmetro.
Muitos danos são causados pelos complexos de anticorpos produzidos. O grande número de vírus pode produzir massas de anticorpos ligados a inúmeros vírus e uns aos outros que danificam o endotélio dos vasos, levando a hemorragias. Os vírus infectam principalmente os macrófagos, que são células de defesa do nosso corpo. O período de incubação é de três a sete dias após a picada.

Contaminação:

Nas áreas urbanas, o Aedes aegypti é o principal vetor, transmitindo o vírus da febre amarela de 9 a 12 dias após ter picado uma pessoa infectada. Esse intervalo, chamado de período de incubação extrínseca, varia de acordo com a temperatura, sendo menor quanto maior for a temperatura. Embora não tenha participação comprovada na transmissão do vírus amarílico, o Aedes albopictus apresenta ampla valência ecológica, adaptando-se aos ambientes rurais, periurbanos e urbanos. Essa característica lhe confere destaque pela possibilidade de fazer a ponte entre os ciclos silvestre e urbano de transmissão. A fêmea do mosquito põe seus ovos em qualquer recipiente que contenha água limpa, como caixas d'água, cisternas, latas, pneus, cacos de vidro, vasos de plantas, etc. As bromélias, que acumulam água na parte central, chamada de aquário, são um dos principais criadouros nas áreas urbanas. Os ovos ficam aderidos e sobrevivem mesmo que o recipiente fique seco. A substituição da água, mesmo sendo feita com frequência, é ineficiente. Dos ovos surgem as larvas, que depois de algum tempo na água, vão formar novos mosquitos adultos.
O Aedes aegypti e o Aedes albopictus transmitem também a dengue. Um inseticida altamente eficiente contra esses mosquitos é o DDT. No entanto seu uso é controlado já que pode causar câncer. Nas áreas Zona rurais e silvestres, os mosquitos vetores do vírus da febre amarela pertencem aos gêneros Haemagogus e Sabethes. A espécie que mais se destaca é o Haemagogus janthinomys, embora o Haemagogus leucocelaenus tenha ganhado importância na última década, assumindo a condição de vetor primário em alguns Estados.

Diagnóstico:

O diagnóstico é feito através de reação em cadeia da polimerase (PCR), inoculação de soro sanguíneo em culturas celulares; ou pela sorologia. Os sintomas iniciais da febre amarela, dengue, malária e leptospirose são os mesmos. Portanto, é necessário a realização de exames laboratoriais para a diferenciação. A confirmação do diagnóstico de febre amarela não exclui a possibilidade de malária. Da mesma forma que a febre amarela, a dengue e a malária também podem se tornar graves quando o indivíduo aparenta melhora.

Prevenção:

A prevenção da febre amarela se dá através do combate aos mosquitos e de vacinação. Nas áreas de risco, a vacinação deve ser feita a partir dos seis meses de vida, enquanto nas outras áreas pode ser a partir dos nove meses. Viajantes que forem para Amazônia ou Pantanal devem tomar um reforço dez dias antes.

Combate ao mosquito:
Algumas medidas de combate ao mosquito são:
  • Utilizar água tratada com cloro (40 gotas de água sanitária a 2,5% para cada litro) para regar plantas.
  • Desobstruir as calhas do telhado, para não haver acúmulo de água.
  • Não deixar pneus ou recipientes que possam acumular água expostos à chuva.
  • Manter sempre tapadas as caixas de água, cisternas, barris e filtros.
  • Colocar os resíduos domiciliares em sacos plásticos fechados ou latões com tampa.
  • Não deixar o bico das garrafas para cima.
Vacinação:

Pessoas que residem ou viajam para zonas endêmicas de febre amarela devem ser vacinadas. A vacina, com quase 100% de eficácia, tem validade por 10 (dez) anos e uma vacina de reforço é recomendada pelo Ministério da Saúde do Brasil após esse período. A OMS, entretanto, considera uma vacina como suficiente para gerar imunidade por toda a vida. Em 5 de abril de 2017, o Ministério da Saúde mudou a recomendação nacional para o número de doses de vacina contra a febre amarela, passando a recomendar dose única conforme OMS.
Segundo recomendação do Ministério da Saúde do Brasil, mulheres que estão a amamentar devem adiar a vacinação contra a febre amarela até a criança completar seis meses. No Brasil, a vacina contra a febre amarela faz parte do esquema básico da infância nos Estados onde a doença é endêmica. A vacina é composta de vírus atenuado e só faz efeito dez dias após sua aplicação.

Tratamento:

A febre amarela é tratada sintomaticamente, ou seja, são administrados líquidos e transfusões de sangue ou apenas plaquetas caso sejam necessárias. Analgésico é usado para a dor e antitérmico para a febre. A hemodiálise poderá ser necessária caso haja insuficiência renal. Antivirais não são eficientes.
Os anti-inflamatórios não esteroides (AINE), como o ácido acetilsalicílico (aspirina), são desaconselhados, porque aumentam o risco de hemorragias, já que têm atividade antiagregante plaquetar. 

Epidemiologia:

Existe endemicamente na África, Caraíbas (Caribe) e América do Sul. A enfermidade não se transmite diretamente de uma pessoa para outra. Em área silvestre, a transmissão da febre amarela é feita por intermédio de mosquitos do gênero Haemagogus em geral. Por ser virótica, pode ser transmitida por outros tipos de insetos que se alimentam de sangue. A infecção pode ocorrer também através de mosquitos que picam macacos e em seguida humanos. Existe também transmissão trans ovariana no próprio mosquito.
A infecção humana ocorre no indivíduo que entra em áreas de cerrado ou de florestas e é picado pelo mosquito contaminado. A propagação para áreas urbanas ocorre porque a pessoa contaminada é fonte de infecção para o mosquito desde imediatamente picada, portanto antes de surgirem os sintomas, até o quinto dia da infecção (reforçando, sem sintomas), esta retorna para a cidade serve como fonte de infecção para o Aëdes aegypti, que então pode iniciar o ciclo de transmissão da febre amarela em área urbana. Outro reservatório da infecção são os macacos.

Brasil:

As localidades infestadas pelo Aëdes aegypti, cerca de 3 600 municípios brasileiros, têm risco potencial da febre amarela. Em Boa Vista, no Estado de Roraima, e em Cuiabá, no Estado do Mato Grosso, existem focos endêmicos nas áreas urbanas. A maior quantidade de casos de transmissão da febre amarela no Brasil, ocorre em regiões de cerrado. Porém, em todas as regiões (zonas rurais, regiões de cerrado, florestas) existem áreas endêmicas de transmissão das infecções. Estas principalmente ocasionadas pelos mosquitos do gênero Haemagogus, e pela manutenção do ciclo dos vírus através da infecção de macacos e da transmissão trans ovariana no próprio mosquito. No Brasil, os casos vêm diminuindo desde 2003, contudo, em 2008, houve um aumento sensível de casos no início do ano. No fim de 2007 e início de 2008, O jornal Folha de S. Paulo publicou 118 matérias, informando sobre o aumento progressivo do número de casos de febre amarela de grandes proporções. Segundo o ministério da saúde brasileiro, entre 1990 e 2010 ocorreram cerca de trinta casos por ano (total: 587) com cerca de treze por ano terminando em morte (total:259).
Recentemente vários casos da doença têm sido registrados na região leste do estado de Minas Gerais, onde as suspeitas de óbitos em seres humanos passam de 30 casos. A população local também relatou dezenas de casos de óbitos de macacos na região, o que confirma uma epidemia reconhecida pelo governo do estado de Minas Gerais.

História
Brasil:

A primeira referência à febre amarela no Brasil data de 1685, com a ocorrência de surto no Recife, em Olinda, na Ilha de Itamaracá e em Goiana na Capitania de Pernambuco. O vírus da febre amarela e o Aedes aegypti vieram juntos da África, nos navios negreiros.Tempos depois atingiu a população de Salvador, onde causou cerca de 900 mortes durante os seis anos em que ali esteve. A febre amarela foi reintroduzida em 1849 (primeira grande epidemia ocorrida na capital do Império, o Rio de Janeiro), quando um navio americano chegou a Salvador procedente de Nova Orleãs e Havana, infectando os portos e se espalhando por todo o litoral do Brasil.
Uma grande epidemia de febre amarela matou mais de 3% da população da cidade brasileira de Campinas no verão do ano de 1889. Adolfo Lutz, em suas reminiscências sobre a febre amarela, calculou em três quartos a população que deixou Campinas em direção a outras cidades, fugindo da febre amarela.
Em 1895, o navio italiano Lombardia foi acometido de febre amarela ao visitar a cidade do Rio de Janeiro, onde quase não existia esgoto e a infraestrutura sanitária era extremamente precária. O recolhimento dos resíduos, o abastecimento de água e o comércio de alimentos nas ruas eram feitos sem nenhuma condição de higiene. A população em geral vivia em cortiços: a entrada de um deles era decorada com cabeças de suíno, surgindo, daí, a expressão "cabeça de porco".
O Brasil "turístico" era, então, considerado perigoso por conta das enfermidades infecciosas. As agências de viagem na Europa operavam direto para Buenos Aires, sem escala, privando o Brasil do transporte marítimo e da exportação do café. Uma intrincada rede de acontecimentos afetou o país, a partir desse cenário: a cafeicultura era prejudicada – a mão de obra era imigrante e vulnerável à febre amarela; não havia como pagar a dívida externa – sobretudo contraída com bancos ingleses.

Outras datas:
  • 1902 - Sorocaba (SP), foi realizado o 1.º Combate ao vetor da doença, sob a orientação de Emílio Ribas.
  • 1903 - Oswaldo Cruz, iniciou a Campanha contra a febre amarela no Rio de Janeiro.
  • 1928 - A doença reaparece no Rio de Janeiro, causando 436 mortes. Iniciada, a nível nacional, campanha contra a febre amarela, resultado do contrato assinado com a Fundação Rockefeller.
  • 1940 - Foi criado, no Brasil, o "Serviço Nacional de Febre Amarela".
  • 1957 - Após ampla campanha de combate ao Aedes aegypti, essa espécie foi declarada erradicada do Brasil, na XV Conferência Sanitária Pan-americana.
Exterior:

A febre amarela infectou os espanhóis quando se estabeleceram nas Caraíbas, como em Cuba e na ilha de Santo Domingo e noutras regiões da América, matando muitos. Colombo foi obrigado a mudar a sua capital na ilha de Santo Domingo porque o local inicial tinha grande número de mosquitos transmissores que infectaram com a doença e mataram uma proporção considerável dos colonos.
Durante a revolução dos escravos na então colônia francesa de Santo Domingo, nos primeiros anos do século XIX, Napoleão Bonaparte enviou 40 mil tropas para assegurar a posse da colônia à França. As tropas, no entanto, foram dizimadas por uma epidemia de febre amarela e a revolução triunfou, fundando o Haiti. A perda de tantos soldados fez Napoleão desistir dos seus sonhos coloniais na América do Norte. A primeira tentativa de construção do Canal do Panamá, pelos franceses no século XIX, fracassaram devido às epidemias de febre amarela. A segunda tentativa, pelos Estados Unidos, só resultou graças às novas técnicas de erradicação de mosquitos e à vacina recentemente desenvolvida.